Flautista (Macho) - Magro e elegante, por estar sentado à frente considera-se o braço direito do maestro, apesar de nunca concordar com ele. Discreto a vestir mas exuberante a tocar mexe-se agitadamente em passagens técnicas e faz círculos com a flauta nas passagens expressivas. Momentos de glória: o solo do Guilherme Tell e qualquer marcha militar…
Flautista (Fêmea) - Normalmente é a boazona que não percebe nada de música, mas acha o som da flauta “lindo” e adora tocar na banda porque pode “conhecer pessoas”. Vira os papéis ao “artista” acima mencionado e perde mais tempo a pentear-se do que a tocar. Mais cedo, ou mais tarde, vai acabar por casar com um dos chefes de naipe… ou até mesmo com o maestro.
Oboista (macho) - É uma espécie de flautista, mas menos arrogante e mais amigo de copos, apesar de, secretamente, achar-se superior por tocar “um instrumento de orquestra”. Sempre acompanhado de 3.564.947 acessórios, perde tanto tempo a preparar a palheta para depois, na hora do solo, sair aquele guincho tradicional do oboé que mais parece um pato com cio. Diverte-se a olhar para o resto da banda nas arruadas e procissões.
Oboista (fêmea) - Muito semelhante ao macho, apresenta como única diferença o não esconder a arrogância. Só toca na banda “para ganhar dinheiro” e porque “gosta muito de música” mas um dia será solista de uma grande orquestra.
Fagotista (macho) - Um tipo porreiro, não chateia ninguém e acha um desperdício estar ali a tocar, porque é “abafado por toda a banda”. No entanto, toca tudo o que lhe aparece à frente e agradece a Deus não ter que tocar na rua, porque assim pode “apreciar as gajas á vontade”.
Fagotista (fêmea) - Semelhante ao macho, a única diferença é lamentar-se por não poder tocar na rua. O seu verdadeiro sonho era tocar trombone mas sempre lhe disseram que isso não é instrumento para meninas.
Clarinetista I (macho) - A vedeta! O sonho de qualquer puto! É uma espécie de David Becham da música filarmónica. As miúdas adoram-no, os homens invejam-no. Para ele, qualquer obra que não tenha uma passagem a 144, cheia de semi-colcheias é muito fácil. Contudo, detesta o final da Tanhauser mas finge que adora aquilo e que acerta nas notas todas. Toca todas as marchas de cor, aproveitando para ir olhando para as miúdas.
Clarinetista I (fêmea) - Toca tanto ou melhor que o chefe de naipe, mas por ser miúda fica para trás. Estuda que se farta mas a falta de força faz com que ninguém ouça os seus solos. Também toca todas as marchas de cor, mas afinada. Ninguém sabe, nem sequer desconfia, mas é o elemento da banda com a vida sexual mais activa.
Clarinetista II (macho e fêmea) - Possivelmente os músicos da banda que mais trabalham para o conjunto, isto porque esfolam-se todos para chegar a I. Ouvem centenas de vezes a frase: “Tu até podias tocar primeiro mas a tua presença nos segundos é importante para a banda.”
Clarinetista III - esta secção da banda é habitada pelas seguintes espécies: o puto ranhoso que começou agora a tocar, o velhote com 120 anos que já nem sequer se lembra do próprio nome e a boazona, provavelmente mais boazona que a flautista, mas também mais burra.
Sax-Soprano (macho) - É uma espécie de 1º clarinetista dos saxofones. Tem uma técnica do caraças, o que não impede uma certa desafinação. Nas bandas que têm oboé , não se percebe muito bem o que está lá a fazer. Nas bandas que não têm oboé… é o maior!
Sax-Soprano (fêmea) - Normalmente é uma gaja boa que até já tentou tocar oboé… mas não tinha jeitinho nenhum. Ainda mais desafinada que o macho, passeia o seu soprano como se de um oboé se tratasse.
Sax-Alto (macho) - Secretamente sempre sonhou tocar oboé e está perfeitamente convencido de que o som do seu instrumento é igual a um violoncelo. Desfila com uma certa altivez e bastante elegância. Gosta de fazer vibrato e substituir o oboé e o corn inglês nos solos das obras do Jacob de Haan
Sax-Alto (fêmea) - Secretamente sempre sonhou tocar soprano mas, ou deram o instrumento a uma gaja boa, ou ao tecnicista da casa. Contudo, é extremamente aplicada e toca todas as peças do princípio ao fim sempre com o mesmo ar impávido e sereno, como se estivesse a fazer tricô. Normalmente é a primeira do seu grupo de amigas a casar e a ter filhos, apesar de não ser fisicamente vistosa. Nas bandas em que a farda inclui saia, passa o tempo a engendrar formas de esconder o seu “tesouro”.
Sax-Tenor (macho) - Tem a mania que é o “Jazz-man” lá do sítio e passa a vida a fingir que improvisa. Toca sempre “rasgadinho” e tem um certo prazer em abafar os altos. Não tem muita técnica e acha que uma banda não precisa de clarinete baixo para nada.
Sax-Tenor (fêmea) - Não suporta as flautistas em particular e as gajas boas em geral. Compensa a falta de sex-appeal com dedicação ao instrumento. Irrita-se facilmente com o facto de os seus colegas machos transformarem qualquer peça em jazz e está sempre a reclamar com tudo e com todos. Tem mais técnica que o macho mas muito menos power. Gostava mesmo era de tocar alto para mostrar o seu real valor.
Sax-Barítono (macho e fêmea) - Não se passa nada com este(a) gajo(a)… está sempre tudo na boa, apesar de chegar ao fim de uma procissão com as costas feitas num 8, desenvolvendo neste aspecto uma certa empatia com as tubas e com o gajo do bombo. Diverte-se por tocar a mesma música das tubas mas com muito mais facilidade técnica.
Trompete I (macho) - Outro artista, apesar de menos arrogante que o flautista e o clarinete I. Toca todas as marchas de cor e finge ficar chateado por ter que tocar a Vila Franca, os Ares de Espanha, a Concha Flamenga e a Pérola, mas, no fundo no fundo, são as suas obras favoritas. Queixa-se constantemente do lábio e quando acha que um colega está desafinado, aponta-lhe o trompete à cara. É também um galã, e com o seu Imenso charme torna-se de longe o gajo que mais gajas papa em toda a banda, chega a ultrapassar os gajos da percussão, mas são muIto mais discretos.
Trompete I (fêmea) - Mais um caso de discriminação sexual no mundo filarmónico. Toca tão bem, ou melhor, que o macho mas ele é que é o artista. Nas passagens complicadas e mais cansativas é sempre a fêmea que fica a fazer o trabalho duro, enquanto o macho se queixa do lábio. As trompetistas são extremamente sensuais, mesmo não sendo fisicamente deslumbrantes. Sonha ser comida pelo seu chefe ne naipe, e tem ciumes extremos da gaja da trompa.
Trompetes II (macho e fêmea) - Vivem à espera da oportunidade de chegar a primeiro. Ele não consegue, porque ainda não domina bem os agudos e enterra-se todo sempre que lhe dão oportunidade de fazer um solo (apesar de, quando está sozinho, conseguir tocar aquilo bem). Ela ainda não foi promovida, porque não é tão boa como a primeira trompete.
Trompete III (macho) - Normalmente o puto ranhoso que começou a tocar há 15 dias, não dá uma nota na rua, e no coreto toca no trompete como se fosse um clarinete.
Trompete III (fêmea) - Deixem-na estar sossegada… Mais cedo ou mais tarde vai sair da banda. Trompas (macho) - Outro que toca de cor… mas também… para passar a vida a fazer contratempos é preciso papel? Adora o final da Tannhauser e é rico em exercícios de aquecimento: Concertos de Mozart, Solo do Inferno, Concertos de Mozart, Solo Inferno, Concertos de Mozart, Solo Inferno, etc.
Trompas (fêmea) - É tão boa tão boa que ninguém repara se a gaja toca bem ou não. Compensa com o corpo aquilo que lhe falta em pujança sonora. Mais cedo ou mais tarde acaba por se envolver com o chefe de naipe. Se algum dia conhecerem uma trompista que não seja boa, mesmo boa, é porque ela toca bem, mesmo bem. O seu aquecimento é mais limitado, resumindo-se a escalas e arpejos.
Trombones (macho) - Antes de mais: já estamos fartos das piadas sobre a vossa vara… OK???? Provavelmente estão sempre a falar da vara para compensar o tamanho diminuto do pénis. O aquecimento destes senhores normalmente é gravado e usado à posteriori como buzina nos navios da marinha mercante. Fazem uma ginástica engraçada a tocar o Guilherme Tell. São responsáveis por enumeras nódoas negras no pessoal que tem o azar de se sentar à frente deles.
Trombones (fêmea) - São uma espécie rara mas em franca expansão. Secretamente, são invejadas pelas outras raparigas da banda, por conseguirem tocar um “instrumento de homem”, principalmente pelas fagotistas. O facto de tocarem trombone confere-lhes um certo charme e, por isso, “safam-se” sempre, mesmo sem serem tão boas como as mais boas da banda.
Bombardinos - Devem ser o único naipe da banda que gosta de rapsódias (porque será?). São odiados pelos trompetistas, que adorariam ter uma técnica assim. Gostam de dizer que a sua música é “como a dos clarinetes” e passam a vida a explicar aos leigos a diferença entre o seu instrumento e uma tuba. Tubas - Não é gordo é “forte”… e tem que ser para “aguentar com um instrumento destes!!!”. Reclamam por a sua música ser “uma seca” mas, quando lhes metemos o Juízo Final à frente começam a resmungar: “dass… isto parece música de clarinete!!!”
Percussão - os gajos mais cool e estilosos da banda, são também aqueles que reúnem mais fãs no mundo extra-filarmónico, “sacando” gajas com mais facilidade. Para além de tocarem 398479328402394 instrumentos diferentes, conseguem tocar e falar, tocar e fumar, tocar e beber, tocar e olhar para as gajas boas, tocar e comentar as gajas boas, tocar e mandar piropos às gajas boas (diz a lenda que já houve um percussionista que teve uma gaja boa a prestar-lhe certos favores orais enquanto ele tocava… lendas?). Transportam sacos com 329847923874923 pares de baquetas diferentes mas que produzem todas o mesmo efeito sonoro: BARULHO!
Texto de António Pinheiro, colocado no fórum do site bandasfilarmonicas.com
Poderás ver o original
aqui